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terça-feira, 2 de julho de 2013

Labirinto de espelhos: sobre anarquismo e lutas sociais


Por Cassio Brancaleone e Daniel de Bem
Professores do Curso de Ciências Sociais da UFFS
Investigadores do Grupo de Pesquisa Anticapitalismos e Sociabilidades Emergentes (GPASE)



A recente onda de mobilizações e protestos que tomou as ruas (e as redes sociais), supostamente desde a primeira quinzena de junho (e é importante apontar a sutil diferença entre o “início” efetivo desse processo e o início de sua exposição midiática) tem sido responsável por desencadear um verdadeiro sentimento generalizado de atonia e perplexidade entre boa parte daquele segmento da sociedade que convencionamos chamar por intelectualidade. O que é compreensível, afinal, “fomos” pegos de surpresa, convencidos que estávamos sobre o processo, para alguns dito até civilizatório, de consolidação das instituições da democracia liberal representativa entre nós, especialmente com o fortalecimento dos partidos políticos como “instâncias cívicas” que monopolizam os mecanismos de alocação de candidatos para cargos públicos. A impressão é que muita coisa está fora do lugar. Mas a pergunta deveria ser: em algum momento, estiveram as coisas no seu lugar?

Por ocasião da publicação do artigo “Depredando o Espelho” (edição do dia 26/06/2013 do jornal Bom Dia), de autoria do prof. Ernesto Cassol, nos sentimos instigados a problematizar para o/as leitore/as algumas questões ali apresentadas, em nossa modesta opinião, de forma um tanto pedestre e até mesmo preconceituosa. Em especial, iremos tecer algumas considerações sobre o anarquismo e seu papel nessas e outras mobilizações ocorridas em nosso país.   

Lamentamos que venha de um professor de história um tratamento sobre o anarquismo tão desrespeitoso, uniformizador e caricato perante a sua importância histórica e atual no seio das lutas populares no Brasil e no mundo. O anarquismo, cabe recordar, significa justamente o oposto de desordem, bagunça e outros impropérios que secularmente foi a ele associado por figuras à direita e à esquerda do espectro político. Anarquismo é uma filosofia política e uma expressão histórica do movimento operário (logo, um movimento social e popular) que preconiza a ordem e a (auto)organização no sentido mais sofisticado e democrático que se possa conceber. Nesse sentido, é sim um inimigo da atual ordem vigente, qual seja, a estatal e capitalista. Por isso a pecha de desordeiros, da qual, nesse sentido, só pode ser motivo de orgulho (diria Chico Science: “desorganizando para organizar, organizando para desorganizar”). Mas o prof. Cassol, infelizmente, reifica e reproduz os mais nocivos e perniciosos preconceitos disseminados pela ortodoxia marxista (sim, porque outras correntes marxistas tiveram a audácia crítica de ir além da cartilha leninista ou do chauvinismo socialdemocrático).

É certo que existe sim, um anarquismo individualista, dito como “estilo de vida”, e que não deve ser confundido com o anarquismo organizado, como movimento social e político, tanto quanto existe um sem número de marxistas que estão espalhados por nossa sociedade sem nenhuma vinculação às massas populares, como intelectuais diletantes em bares, empresários, juízes e reitores de universidades.

Há mais de um século o movimento anarquista, no sentido mais plural do termo, vem construindo e promovendo teorias e práticas de solidariedade, cooperação, apoio mútuo, feminismo, internacionalismo, classismo, horizontalidade e autogestão, combatendo as diversas formas de discriminação, opressão e violência (religiosa, étnica, de gênero, política, econômica, epistemológica, etc) no mundo todo e no Brasil. O movimento anarquista foi a primeira expressão organizada do movimento operário de massas no Brasil. Os anarquistas fundaram os primeiro sindicatos e associações mutualistas de trabalhadores país. Até a criação do Partido Comunista do Brasil foi obra de anarquistas, inebriados com a realização da Revolução Russa (não foi o que disse Sérgio Buarque de Hollanda?). Colonos que vieram ocupar a região do Alto Uruguai, pasmem, eram anarquistas (recordemos a memória de Elias Iltchenco, agricultor e colono de Erebango). A quem interessa esquecer seletivamente a nossa história?

O anarquismo, como filosofia política e movimento social organizado, é anticapitalista e anti-estatal. No primeiro caso por considerar a relação patrão e empregado, ou seja, o assalariamento, uma relação de exploração e escravidão. No segundo caso por considerar a relação governo e governado, ou seja, a existência do Estado como um corpo político separado da sociedade, como uma relação de dominação e escravidão. Por isso preconiza a autogestão e o autogoverno: a auto-organização dos trabalhadores no local de trabalho e no território por eles habitados. Não há nada mais preconceituoso e estúpido, portanto, que associar anarquismo a desordem ou baderna. A anarquia pretende ser, justamente, o seu oposto, e isso só é possível eliminando todas as instituições e relações sociais que reproduzam e naturalizam o privilégio que nasce da exploração e a dominação do homem pelo homem.

O que incomoda muito a esquerda organizada em partidos eleitorais, ou seja, que acredita ou aceita acriticamente a representação liberal e pretende portanto dirigir os trabalhadores através da gestão do Estado, supostamente a interesse da própria classe trabalhadora, é que os anarquistas defendem exatamente o oposto: organizar a classe trabalhadora, os desempregados, os camponeses, enfim, todos os oprimidos para que eles próprios sejam os responsáveis por sua emancipação, por sua libertação, e não uma vanguarda ou seus dirigentes. Mais, que esse processo tem que se dar de baixo para cima, e não de cima para baixo.

Por isso os anarquistas desconfiam de todos os representantes, e da lógica de todos os partidos eleitorais que apenas querem disputar o poder. Mas desconfiar da representação e negar o Estado não significa negar a existencia de pessoas que acreditam nos partidos e do papel do próprio Estado como instituição existente e que, na medida em que os trabalhadores foram capazes de pressioná-lo, garantiu a preservação de alguns direitos que são valiosíssimos para os trabalhadores. Os anarquistas são apartidários sim, mas em momento algum defenderam e aplicaram a violencia contra aqueles militantes, marxistas ou não, que se organizam nos partidos. Se há algo importante de destacar do espírito anárquico, entre outras coisas, é justamente a defesa de uma ação política anti-sectária. Os anarquistas compreenderam historicamente que, para alcançar seus objetivos, a liberdade com autonomia, igualdade, fraternidade, não podem reproduzir ações que endossem a intolerância e o obscurantismo político.

É incrível o desconhecimento (ou novamente, o preconceito) que o professor Cassol demonstra sobre o história da Guerra Civil espanhola. Mesmo intelectuais alinhados com marxismo reconhecem o papel importante jogado pelos anarquistas no processo de mobilização da luta contra o franquismo (George Orwell, por exemplo!). Nos fronts de batalha, estavam nas trincheiras, lado a lado com brigadistas internacionais das mais distintas matrizes políticas da esquerda. E foram o estalinismo do Partido Comunista Espanhol e a política de boicote seletivo da URSS os principais responsáveis pela vitória fascista na Espanha em 1939. Tal visão está à altura da ignorancia ou má fé disseminada pela governador gaúcho Tarso Genro (outro intelectual marxista), que em entrevista recente associou os atos de depretação e vandalismo ocorridos em Porto Alegre aos “anarquistas”, que supostamente comporiam o mesmo bloco de agitadores formado por fascistas, nacionalistas e gente infiltrada pela direita (certamente pela própria polícia)!

Na semana passada a sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) foi invadida pela polícia federal. Os policiais entraram no espaço dessa entidade à paisana, armados e sem mandato judicial! É esse o Brasil dos direitos políticos e civis que construímos pós-ditadura? Atualmente existem no Brasil um número significativo de organizações e coletivos anarquistas. Terão eles o mesmo destino? Irão mandar prender daqui em diante as pessoas por porte de livro anarquista, depois do porte de vinagre nas manifestações? Depois dizem que os anarquistas e a extrema esquerda fazem o “jogo que a direita gosta”.... ora, o que vemos é exatamente o oposto: a esquerda eleitoral, partidária e hegemônica é quem faz o jogo que a direita gosta, não só se aliando e compondo secretarias e ministérios com ela, mas mandando prender e calar as vozes mais combativas e consequentes da sociedade civil e da classe trabalhadora.

Para finalizar: é certo que as mobilizações que desabrocharam no país recentemente não são fruto da ação da militância anarquista. Aliás, não são fruto da ação de nenhuma força política isolada. É justamente a coalização e cooperação, direta e indireta, voluntária e involuntária, de uma infinidade de militantes anônimos, anarquistas, marxistas, e especialmente gente que não tem nada a ver com uma coisa ou outra, mas certamente gente que não tem nada a ver também com a esquerda hegemônica e eleitoral, que tornou possível a “primavera brasileira”. Por isso a perplexidade da esquerda eleitoral hegemônica. Esse parece ser um fenômeno das lutas urbanas de médio e longo prazo, em especial das grandes cidades, que liberou energias represadas de setores sociais mesclados entre um “novo proletariado” e uma “ascendente classe média” e que apenas está começando a mostrar sinais do que pode representar e fazer para mudar esse país. Novas sociabilidades e outras compreensões sobre o que significa a relação governo e sociedade estão por emergir disso tudo. Por isso o anarquismo, como filosofia e prática política historicamente marginalizada, possui tanta afinidade com o que está aí e é muitas vezes evocado nos vários lados da “trincheira”.




segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Camaradas blogueir@s

Segue abaixo um link com uma entrevista da Butler sobre o anarquismo. Ela é a principal teórica dos estudos Queer. Vale a pena conferir!

http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/politicaetrabalho/article/view/12860/7415


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Salas para os Bolsistas

Gente amiga, a Camila já repassou as salas que foram reservadas para os bolsistas dos projetos relacionados ao GPASE até Julho. Na maioria dos dias ficou reservada a sala 02 ou 04 no seminário, no horário das 17h as 19h. Assim, a plaquinha de identificação do grupo tem que estar disponível para demarcar a sala da vez. Abraços e bons estudos e trabalhos.


MAIO
09 - não há sala disponível no campus
10 - Sala 04
11 - Sala 02 Anexo
16 - não há sala disponível no campus
17 - Sala 02 Anexo
18 - Sala 04
23 - Sala 02
24 - Sala 04
25 - Sala 01 Anexo
30 - Sala 04 - Até as 17h
31 - Sala 04

JUNHO
01 - Sala 03 Anexo
06 - Sala 02
07 - Sala 04
08 - Sala 02
13 - Sala 02
14 - Saça 04
15 - Sala 02
20 - Sala 02
21 - Sala 04
22 - Sala 01 Anexo
27 - Sala 04 - Até as 17h
28 - Sala 04
29 - Sala 01 Anexo

JULHO
04 - Sala 02
05 - Sala 04
06 - Sala 03 Anexo
11 - Sala 02
12 - Sala 04
13 - Sala 02

segunda-feira, 30 de abril de 2012


 RESSIGNIFICAÇÃO DA IDENTIDADE ATRAVÉS DO TRABALHO E MORADIA DOS CATADORES DE MATERIAL RECICLÁVEL

Matildes Regina Pizzio Tomasi[1]

Rosana Scolari, em seu trabalho de dissertação de mestrado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, realiza uma pesquisa junto aos catadores de material reciclável dos bairros Cristo Rei e Progresso da cidade de Erechim, RS. Com o objetivo de verificar a importância da ressignificação da identidade através da participação da ARCAN.[2] E os benefícios que esta associação proporciona para uma população que se encontra a margem da sociedade local. Dentre as situações analisadas pela autora, estão às questões de uma inserção e adaptação a novas realidades, por isso, ela trabalha com conceitos de território, lugar, cotidiano, moradia, trabalho e economia solidária, que possibilitam satisfazer este conjunto como um todo. Esclarecendo o significado de desterritorialização, territorialidade, cidadania, exclusão/ inclusão social, solidariedade e identidade. E também a prática de uma economia solidaria, como forma de inclusão e alternativa, mediante a uma economia capitalista excludente. Utilizou para a realização deste trabalho, questionário com associados da ARCAN e também com catadores independestes, além de acompanhar de perto as atividades dos associados.

O trabalho da autora consiste em entender a reprodução de vida no cotidiano que expressa o interesse comum que organizou a associação dos catadores de Erechim, a ARCAN. Traçar um perfil e procurar entender quem são estas pessoas que sobrevivem do lixo, que compartilham sua cultura e pobreza. Compreender os paradigmas sociais, nos quais esta gente tão fragilizadas, que buscam a inserção e inclusão em uma sociedade que disfarçadamente a discrimina e dificulta sua ascensão. Analisar o espaço onde vivem estes catadores, observando o seu cotidiano e as relações que se desenvolvem nos locais de trabalho e habitacionais. Neste contexto que se realizam os processos de desterritorialização e consequentemente uma nova tentativa de readaptação em outra dimensão social e espacial. É quando surge esta organização de pessoas de diferentes grupos sociais, na busca de novos significados e alternativas na qual eles possam ser inseridos, à economia solidária.

No primeiro capítulo a autora trabalha com alguns conceitos que possam esclarecer e explicar realidades adversas e suas formas de reprodução. Explicando a importância que o trabalho, a moradia, o território e o lugar adquirem na vida das pessoas. Como elas se identificam com determinados espaços, e os significados que os mesmo representam. De como o sentimento de pertencimento a algo é significativo e norteador a o sujeito. A necessidade de inclusão e participação dignifica o ser humano. Assim como o trabalho e a moradia. A criação da ARCAN e o que ela representa na vida de seus associados.

No segundo capítulo a autora faz uma análise da agravação das dificuldades social no sistema capitalista. Onde classifica a economia solidária como alternativa viável de integrar a população excluída ao mercado de trabalho. Destaca que este tipo de empreendimento necessita estar sempre em competição com o mercado capitalista, o que se classifica como desvantagem ou menor oportunidade de prosperidade. Faz uma comparação entre economia solidaria e economia capitalista e destaca a eficiência do capitalismo em manter na economia a lógica da acumulação.

No terceiro capítulo ela trabalha a origem da ARCAN e as características de seus associados, dos que trabalham na triagem e os que coletam material reciclável nas ruas e também dos catadores independentes. Com destaque para a fragilidade da identidade de seus associados e a importância do trabalho que executam. Abordando as relações entre o poder público do município, os catadores e as empresas de reciclagem. E também o trabalho do Padre Dirceu Benicá como colaborador e mentor da ARCAN e do SEPO, por fornecer as bases teóricas da economia solidaria, com a realização de cursos com base na educação popular.

O quarto capítulo é uma abordagem sobre a moradia dos catadores, bem como as condições destas habitações e como elas se constituem ou como se realizaram a ocupação das mesmas. A solidariedade que acontece entre os catadores e como se desenvolve o sentimento de pertencimento a um determinado lugar ou território. E a participação do poder público municipal para melhorar as condições de saneamento e higiene nestes locais.

O último capítulo a autora exemplifica a sua teoria de que a ressignificação da identidade se realiza através de uma territorialidade e na qual o sujeito possa reconhecer-se como indivíduo e fazer parte deste quadro social,  ser aceito em determinada realidade e contexto.

A autora conclui que a ARCAN trouxe outra perspectiva e contribuiu para elevar a autoestima, assim como dignificou consideravelmente às relações entre os sujeitos sociais. Reescreveu a história dos catadores e melhorou suas condições de vida e pode integrar e absorver uma camada excluída da população erexinense. Que diante do processo de exclusão, eles se encontram em uma relação de alienação diante da realidade social da cidade de Erechim, pois só conseguem sentirem-se descontraídos a partir do momento em que atravessam a BR e se encontram em nos bairros Cristo Rei e Progresso. A crítica que ela faz é quando traça um paralelo entre a ARCAN e as empresas de reciclagem que existem na cidade, observa que a renda mensal das outras empresas e dos catadores independentes é maior que a da ARCAN, por isso ela diz que eles não são muito dedicados a o trabalho. Afirma também, que a solidariedade entre os catadores e a ajuda mútua são fatores determinantes para assegurar o mínimo de bem estar e atender suas necessidades básicas.





REFERÊNCIA:

SCOLARI, Rosana Mary Dela Torre. Ressignificação da identidade através do trabalho e moradias dos catadores de material reciclável da associação de recicladores cidadãos amigos da natureza do município de Erechim (RS). Porto Alegre: UFRGS, 2006.







[1] Acadêmica do 5º semestre do curso de Licenciatura em História da UFFS/Erechim. Mar. 2012.
[2] Associação dos Recicladores Cidadãos Amigos da Natureza.

sábado, 28 de abril de 2012

RESSURGIMENTO DO SINDICALISMO NO ALTO URUGUAI


 RESSURGIMENTO DO SINDICALISMO NO ALTO URUGUAI

Matildes Regina Pizzio Tomasi[1]

O quarto capítulo da obra de Anacleto Zanella[2] sobre o sindicalismo no alto Uruguai gaúcho, trata do ressurgimento a afirmação do sindicalismo regional no período de 1978 a 1990. Destaca que a causa principal deste ressurgimento é a conjuntura nacional com o enfraquecimento de o governo militar, causado por uma grande crise econômica, geradora de um alto índice inflacionário. O descontentamento do trabalhador diante de tais acontecimentos fortaleceu o sindicalismo, pois era a única forma de reivindicação disponível, tanto em nível nacional como regional. Assim como a forte influência da Igreja Católica progressista, responsável pela formação de lideranças sindicais.

O Autor inicia o capítulo trazendo um apanhado geral da situação econômica nacional, causadora de um arrocho salarial, contabilizando uma perda salarial de 34,1% em 1973. Que desencadeou no ressurgimento do movimento grevista a partir do ABC paulista em 1978, atingindo nível nacional até 1980. Mas as manifestações populares também exigiam algumas medidas no setor político, direcionando o país a uma redemocratização e fim do regime militar, sobretudo a partir de 1983 com a criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que tinha o objetivo de unificar as forças sindicais, fazendo oposição a Central Geral dos Trabalhadores (CGT). Pois a CGT, antiga CONCLAT,[3] desenvolvia uma atividade conciliadora, enquanto que CUT tinha um perfil classista.

Na região do Alto Uruguai as mudanças que ocorreram no sindicalismo, se deram graças às ações da Igreja Católica Progressista, tanto no meio rural como no urbano, que coordenou diversos trabalhos no sentido de orientar os fiéis em busca de melhores condições de vida. Através das Comunidades Eclesiais de Bases (CEBs) e da Teologia da Libertação, que se fundamenta em três princípios: Ver, julgar e agir. Dentre as atividades da Igreja Católica estão vários desmembramentos, que abrangeram toda a região do Alto Uruguai, como: Comissão Pastoral da Terra (CPT); Pastoral da Juventude (PJ); Juventude Operária Católica (JOC); Pastoral Operária (PO); Curso de Assessoramento de Jovens (CAJO); Treinamento de Ação Pastoral (TAPA). A JOC e a ACO, Foram criadas em Erechim, na década de 70, por intermédio do Padre Adelar de David e da Irmã Deonilse Rovani. Além desses, outros grupos foram criados na região, como o Grupo Paulo VI, que deu origem à luta contra as barragens; Esquema Dois em Passo Fundo; Escola de Servidores que preparava lideranças comunitárias para toda a Diocese de Erechim, a esta escola pertenceu Ivar Pavan. E as CEBs que apoiaram movimentos regionais como a Comissão Regional de Atingidos por Barragens (CRAL), de Mulheres Trabalhadoras Rurais e o MST.

Segundo o autor é neste período de surge um novo sindicalismo rural no Alto Uruguai no qual ele destaca três fatores determinantes: “a liberalização política vivida em todo o país, as mudanças estruturais na economia agrária do estado e seus impactos sociais e a ação de setores progressistas da Igreja Católica”. (Zanella, 2004, p. 201). Destaca também os problemas enfrentados pelos trabalhadores rurais que eram: “os baixos preços dos produtos agrícolas, a falta de assistência médico-hospitalar, a falta de aposentadoria, a concentração de renda e das propriedades no campo e o êxodo rural.” (Zanella, 2004, p. 202). Observa que esta conjuntura social favoreceu o desenvolvimento de um novo sindicalismo, pois o velho sistema não atendia mais as necessidades dos trabalhadores rurais, por ser um sindicalismo de assistencialismo atrelado a o Estado.

Neste contexto surgem novos ideais com disputas entre “vermelhos” e “pelegos”.  Os “vermelhos” eram os sindicalistas ligados a CUT e os “pelegos” os ligados a Fetag. O autor descreve as disputas eleitorais entre ambos, com suas artimanhas políticas e a tomada do poder em cada sindicato na região, com a maioria de sindicatos liderados por setores ligados a CUT em 1990. O apoio da Igreja Católica progressista a os sindicalistas da CUT, e a celebração de uma missa pela posse da diretoria do STR de Erechim, na qual foi queimado um pelego simbolizando o fim do sindicalismo atrelado a o Estado.

O autor afirma que a predominância de lideres sindical vinculada a CUT beneficiou positivamente as ações do sindicalismo rural na região, Pois somarem-se as manifestações nacionais e se fortaleceram enquanto categoria. “Conquistaram direitos e foram reconhecidos como sujeitos no processo de desenvolvimento regional.” (Zanella, 2004,p.210). Participaram ativamente de lutas por:



·         política agrícola, com garantia de preço, crédito e seguro para a produção;

·         reforma agrária com direito à terra para quem quisesse nela trabalhar;

·         contra a construção de barragens no rio Uruguai;

·         a luta em torno da produção e venda do leite;

·         saúde pública, gratuita e de boa qualidade;

·         defesa do direito à aposentadoria e ao salário-maternidade;

·         a luta das mulheres trabalhadoras rurais pelo direito a sindicalização, ao talão de produtor, à documentação, bem como a igualdade de gênero;

·         eleições diretas para presidente da República”. (Zanella, 2004, p.210).



Com estas lutas frequentes o STR conseguiu comprar o hospital de Aratiba, que beneficiou os trabalhadores rurais locais. O que causou uma grande adesão ao movimento sindical regional, quando em março de 1987 o STR conseguiu reunir 12.000 agricultores no maior protesto da categoria, da década, em Erechim. Que motivou também os movimentos de mulheres trabalhadoras rurais, tais como o Movimento da Mulher Camponesa ligado a Fetag e a Organização das Mulheres da Roça, ligado a CUT, que em 1989 participou do processo de criação do Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais.

Neste período também houve uma renovação no sindicalismo urbano, principalmente pela ação da Igreja Católica Progressista com atuação intensiva através das CEBs. Zanella destaca que o marco inicial desta mudança se deu com a paralização dos professores estaduais em abril de 1979 e a criação do núcleo regional de CPERS em junho do mesmo ano. Seguida da greve de trabalhadores nas indústrias de Construção Civil e Mobiliário (1979) sobretudo os funcionários da Indústria Madalozzo. E a greve dos bancários (1978/1979), na qual a categoria de Erechim acompanhou a paralização em assembleia, mas não entrou em greve. A partir de 1983 com a formação da CUT, começa a disseminar campanhas de adesão na região e as primeiras adesões a CUT são as do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação, no qual Anacleto Zanella era integrante e do 15º Núcleo do CPERS.  Surge também a Equipe Sindical Urbana da CUT (ESUC) que resultou na formação de lideranças sindicais e apoiou a criação de novos sindicatos: Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Erechim e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Saúde. Que se somaram as lutas sindicais urbanas regionais, que reivindicavam:

“[...] as campanhas salariais das diversas categorias de trabalhadores, o cumprimento de acordos coletivos de trabalho e da legislação trabalhista, a garantia do pagamento dos adicionais de insalubridade e periculosidade, a manutenção a ampliação dos direitos sociais trabalhistas no processo constituinte, saúde pública, gratuita e de boa qualidade, direito a aposentadoria especial, melhoria e cumprimento do plano de carreira, melhores condições de trabalho, liberdade e autonomia sindical e eleições diretas para presidente da República.” (Zanella,2004, p.233).

Porém com número menor de greves no setor privado, em relação ao público, devido a o medo que o trabalhador tinha de perder o emprego, pois perderam a estabilidade durante o governo militar. E por serem empresas de pequeno e médio porte, favorecia a uma relação amistosa entre os funcionários e os empregadores. Portanto as maiores paralizações aconteceram durante as greves gerais.

O autor conclui com uma avaliação muito positiva a ação sindical regional deste período. No qual as influências da Igreja progressista e da CUT, favoreceram para intensificar e estimular a participação popular e libertar o sindicato do atrelamento ao Estado. Que resultaram em garantia de direito trabalhistas e melhorias nos setores previdenciários. Porém o que ele não conseguiu perceber foi que tanto a CUT como a Igreja progressista se apropriou da força sindical para disseminar sua doutrina, transformando o sindicado em um veículo para dominar os oprimidos. Não classificou como negativas as disputas sindicais pelo poder, que transformaram estes espaços em arenas de combate, e bases para seguir carreiras políticas. A doutrina católica impregnada na mentalidade do povo com tanta sutileza capaz reverter os princípios morais das comunidades locais. E por fim da aniquilação completa do verdadeiro sentido do sindicalismo, não deixaram nem resquícios dos valores anarquistas que criaram as bases sindicais.















Bibliografia:

ZANELLA, Anacleto. A trajetória do sindicalismo no Alto Uruguai gaúcho (1937-2003) Passo Fundo: UPF, 2004.





[1] Acadêmica do 5º semestre do curso de Licenciatura em História da UFFS/Erechim. Fev. 2012.
[2] Anacleto Zanella, mestre em História pela UPF. Foi presidente da CUT Alto Uruguai e do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Erechim e Gaurama, além de Secretário em formação da CUT/RS. Vereador pelo PT em Erechim. Atualmente é Secretário da Educação em Erechim.
[3] Coordenação Nacional da Classe Trabalhadora

sexta-feira, 27 de abril de 2012

EDUCAÇÃO POPULAR: UMA PROPOSTA DE RESISTÊNCIA?


A HISTÓRIA A AS AÇÕES EDUCATIVAS DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS E POPULARES DA CIDADE DE ERECHIM / RS
Sian Carlos Alegre1 

Os autores iniciam o livro tratando da Educação Popular na América Latina, onde nasce sob uma pratica politica a serviço das classes populares, buscando outra forma de educação, não vista na escola. Assim, a Educação Popular tem a intenção de contribuir para formação de uma consciência politica, que faça com que as pessoas se libertem desta situação, e busquem sua autonomia. No Brasil, a Educação Popular chega como uma resposta ao desenvolvimento dos movimentos sociais. A parir de 1960, a Educação Popular pode ser vista em três momentos: Primeiramente a Educação popular como Alfabetização (década de 60); Segundo a Educação Popular como Consciência Política e Consciência de Classe (década de 70 e 80); Um terceiro momento é a Educação popular como Construtora de paradigmas e do Projeto Político (a partir da década de 90); A Educação popular passa a representar uma prática libertadora, que ajuda na conscientização da real situação de pobreza em que boa parte das pessoas se encontra. Segundo os autores, ela apresenta um esforço para mobilização e organização da população, o que a torna popular é a sua concepção de construção de sociedade. A Educação Popular caracteriza-se por: ser uma prática educativa a serviço da emancipação das classes populares; contribuir para a transformação da sociedade capitalista para uma que de voz as classes populares; educar para a democracia e ser uma ferramenta na organização das classes populares. São as organizações pesquisadas: Organização sindical, Cooperativismo, Movimento Social Popular e Entidades Populares. Organização Sindical Rural fundado em 1962 tem como proposição lutar pelos direitos dos pequenos e médios produtores rurais. Inicialmente mantinham um caráter assistencialista, mas a partir de 1980 inserem-se no novo sindicalismo, reorganizando sua atuação. Organiza-se em Assembléia geral, Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal e Diretoria. Mantém relações com o movimento popular e outros sindicatos. Suas ações consistem em: prestação de serviço; lutas sociais e econômicas; experiência de produção alternativa nas pequenas comunidades; constante informação aos seus membros (programas de radio, boletim informativo); campanhas de sindicalização; organização de base. Para este sindicato a educação popular consiste em utilizar a sua realidade como princípio. Organização Sindical Urbana – sua fundação é resultado da articulação de trabalhadores de varias categorias. Sua finalidade de fundação é: congregação de trabalhadores, reivindicação e soma de forças populares; lutas por direitos sociais e interesses comuns. Segundo os autores, é possível ver três fases em sua história: Fase de Oposição Sindical (1979 a 1985); a Fase de Lutas (1986 a 1988); Fase de Consolidação (1989 aos dias atuais. Organizam-se em Assembléia Geral, Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal, Diretoria e Diretoria Executiva. Suas relações compreendem: relação com a categoria; com a classe patronal; com outros sindicatos; com poder público; com o CEPO e com população em geral. Dentre as ações educativas, destaca-se: as lutas sócias e trabalhistas e a mudança estrutural da sociedade; a consciência do sindicato como instrumento de luta e a organização sindical na base. Para as Organizações Sindicais Urbanas o projeto de sociedade está baseado na justiça, igualdade, participação e na democracia. Cooperativismo as cooperativas surgem do princípio de cooperação e organização de todos os associados. As cooperativas estudas em Erechim foram a Cooperativa de Eletrificação rural do Alto Uruguai Ltda. – CRERAL, criada em 1969 e a Cooperativa dos Produtores Rurais do Alto Uruguai Ltda. – COPERAL, fundada em 1993. A CRERAL é criada para levar luz elétrica ás propriedades rurais e comunidades. Já a COPERAL, é fundada para estabelecer um novo modo de cooperativismo, buscado defender os direitos dos agricultores e suas necessidades mais primarias. Ambas as cooperativas organizam-se em Assembléia Geral, Conselho Fiscal e Administrativo. Estas se relacionam com o movimento popular e sindical, com o CEPO, CAPA e o CETAP. A CRERAL ainda mantém uma relação com o estado, a fim de negociar o custo da energia. A CRERAL desenvolve atividades como: conscientização sobre a atuação da Cooperativa e capacitação para formação de lideranças. Já a COPERAL, destaca-se: a discussão das linhas políticas e o modo de trabalho, através de assembléias regionais e municipais; reuniões nas comunidades rurais e a capacitação de lideranças. Para a CRERAL, a educação popular contribui para a pessoa ver a sua realidade tal qual ela é, consolidando-se no cotidiano. Já para a COPERAL, a educação popular é outra forma de educar, com uma proposta política administrativa econômica e social de educação. Para ambas as cooperativas, o modelo de sociedade baseia-se na democracia, justiça e igualdade, com justa distribuição de renda, se explorados e com trabalho para todos. Movimento Social Popular- Nesse item, os autores destacaram a Comissão Regional de Atingidos por Barragens – CRAB, criada em 1979, a União das Associações de Moradores de Erechim – UAME, fundada em 1990 e o Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais – M.M.T.R/ Alto Uruguai, fundado em 1984. O CRAB inicia sua trajetória apenas com a prestação de serviços aos atingidos, posteriormente aumenta sua abrangência, incluindo todos os agricultores do Alto Uruguai. Trabalha com a formação de lideranças, reuniões nas comunidades e distribuição de boletins informativos. O M.M.T.R. inicia-se com apenas reivindicações, posteriormente busca a inserção da mulher trabalhadora rural nos espaços sociais e nas lutas sociais. Também passam a trabalhar questões de gênero e do processo educativo nas famílias, com intenção de inserir a mulher na administração da propriedade. A UAME inicia suas atividades com característica assistencial e cadastramento de famílias com problemas sócias e consequente visitados membros diretores. O CRAB organiza-se através de Assembléia geral, Coordenação Geral, Executiva Geral, Executivas Regionais e as Equipes de Trabalho. Já o M.M.T.R. divide-se em Assembléia Estadual, Direção e Executiva Estadual, Direção e Executiva Regional, Direção Executiva Municipal e grupo de Mulheres por Comunidade. O UAME está organizado em Assembléia Geral, Diretoria e Presidência das Associações de Moradores dos bairros. Entre as relações estabelecidas, o CRAB mantém com a ELETROSUL, Prefeitura Municipais e a população em geral. O M.M.T.R. mantém relações com o movimento sindical, a CRAB, igrejas, CEPO e uma relação de confrontamento com o poder público. Já a UAME, estabelece relações com a Prefeitura de Erechim, Associações de Moradores de Paulo Bento. Dentre as ações dos movimentos destaca-se, CRAB: Assembléias para estabelecer o dialogo com a ELETROSUL; mobilização no dia Nacional de Luta contra a Barragem,; acampamento e ocupação da sede de ELETROSUL e audiência com as autoridades. O M.M.T.R. desenvolve atividades como; programas de rádio, incentivar a documentação da s mulheres; campanha contra a violência e educação sexista; formação na área da saúde, política, sexualidade e afetividade; A UAME movimenta-se por: participação no Conselho Municipal de Saúde; legalização dos terrenos nos bairros; atendimento de urgência ante a catástrofes; auxilio a pessoas carentes, campanha do agasalho; melhoria na infra-estrutura dos bairros.O CRAB vê a educação popular como meio para a formação critica do sujeito e sua autonomia, a prática e a reflexão são a forma de buscá-la. Para o M.M.T.R. a educação popular vislumbra a realidade, buscando mudanças na própria relação familiar. Já para a UAME, a educação popular caracteriza-se pela humanização das pessoas e busca por seus direitos. O CRAB e o M.M.T.R. tem um projeto de sociedade socialista, pautado na justiça e democracia, para além dessas questões o M.M.T.R. busca uma alteração nas relações de gênero. A UAME afirma a necessidade de uma sociedade com diminuição da fome e sem crianças na rua. Entidades Populares- para tal fim, os autores pesquisaram o Centro de Educação Popular – CEPO e a Obra Promocional Santa Marta. O CEPO surge com a finalidade de ser um apoio e acessória as Organizações Sociais Populares, inicialmente com uma ênfase assistencialista, a partir de 1991 passa a seguir na linha da educação popular. A Obra P. Santa Marta surge com a intenção de tirar as crianças das ruas. Suas ações inicia com o uma constatação do numero de crianças pedintes nas ruas, posteriormente realizam uma conscientização da comunidade para o fim da esmola. Em 1992 a coordenação da obra é transferida da ordem religiosa para o popular. O CEPO e a Obra P. Santa Marta organizam-se em Assembléia Geral, por um Colegiado – que no CEPO são onze sócios e na Obra é formado pela diretoria e representantes das crianças e adolescentes – e por uma Diretoria. O CEPO estabelece relações com outras Organizações Sociais e Populares nacionais e internacionais, ONGs nacionais, universidades e escolas e instancias formal do Estado. Já a Obra Santa Marta, mantém relações como poder público municipal, com o CEPO, com a COMDICAE, Conselho Tutelar. As ações educativas que o CEPO desenvolve, é a partir da educação popular e desenvolvimento na região, para tal fim, desenvolve cinco programas de trabalho: a Produção e Trabalho; Políticas Sociais Públicas; Cultura e Organização Social; Documentação e Elaboração; Política Institucional e Prestação de Serviços. Na Obra P. Santa Marta, as ações educativas estão organizadas em programas: ações sócio-educativas; intercâmbio das experiências de trabalho com as crianças e adolescentes; discussões com a sociedade sobre os direitos da criança e adolescente; formação e aprimoramento pedagógico dos educadores; orientações sócio-familiar, com visitas nas residências e reuniões com a família. Para o CEPO, a educação popular é uma pratica social e a produção coletiva do conhecimento, visando à conscientização das classes populares como sujeitos históricos para a criação de um projeto de sociedade alternativo. Na Obra Santa marta, a educação popular é entendida como a prática sócio-educativa que desenvolva na pessoa o sujeito-cidadão. Para ambas as instituições, o projeto de sociedade deve manter princípios de solidariedade, igualdade, democracia e diversidade. De acordo com os autores, as Organizações Sociais e Populares são algo complexo e dinâmico, sendo que é necessário que tematizar suas histórias e experiência para assegurar seu avanço organizativo. O conhecimento nas organizações está diretamente ligado a realidade e alicerçada na prática coletiva e troca de experiências e, consequentemente a produção de novos conhecimentos. A metodologia das ações educativas apresenta um caráter dialético, visto que suas ações são sobre a realidade, com situações-problema em um complexo global. Porém, apresentam resultados como o surgimento de dirigentes e militantes combativos, mobilização e organização da base, relações sociais democráticas e solidárias. Nesse sentido, a educação popular juntamente com essa concepção metodológica dialética acaba por possibilitar o surgimento de sujeitos autônomos reflexivos e que atue intervindo na sociedade. Para todas as organizações pesquisadas, a educação popular é vista como meio para a libertação das classes populares e sua conscientização de protagonistas de seu processo histórico e social. Por fim, os autores vêem que as Organizações Sociais Populares apresentam-se como uma proposta para a superação da sociedade capitalista, seus sujeitos são vistos como esperança para a concretização de outro projeto de sociedade, tendo a educação popular como grande alicerce. 
Se entendermos que vivemos em uma sociedade preponderantemente desigual, que dia a dia promove e perpetua miséria, entenderemos também que a resistência a ela é algo inerente a si. Para tanto, a educação popular apresenta-se como numa das formas de resistências, luta e proposta de outra sociedade - proposta essa inclusa em sua gênese.    
REFERÊNCIAS
NOGARO, Arnaldo; PIRAN, Gestine Cássia Trindade; ZAFFARI, Nely. A história e as ações educativas das organizações sociais populares da cidade de Erechim/RS. Erechim: São Cristóvão, 1996.
1 Acadêmico do curso de Geografia da UFFS – campus Erechim – sian.pk@gmail.com